faz primavera em
porto alegre
a cidade se movimenta diferente com
luz cheiro som cor
um cais à espera
lugar qualquer
indômito e aflito
lá é longe de olhares
aldeia-estação do inverno
salve, ramilongas
a estética do frio
penso em telhados de paris
sussurro pegadas
nei lisboa e bebeto alves
poetas
canções para o mundo
sem deixar de ser chão
nunca fui ao rio
não bebi janeiros
só das janelas de um março caudaloso
batismo de meus outonos
sempre distante daquela que me faz vivo
escuto wander wildner
busco no armário
a minha
eu tenho uma camiseta escrita eu te amo
sorriso solar aberto
é sempre verão por dentro
quando te lembro
andanças minhas
vivendo o moinho de ventos
celebrando a cidade baixa
os encontros nas esquinas
um bom fim
há por enquanto
saudade
um lago a ansiar garoa
eu distante de mim

8 comentários:
A minha camisa escrita Eu te amo, está precisando ser passada e lavada. Venha ao Rio, te levo no Lamas prum chopinho, quem sabe nesse dia eu tenha a tal epifania.
Poema foda, não te chamo de mestre à toa!
abaraços,
@paraquenomes
'nunca fui ao rio
não bebi janeiros
só das janelas de um março caudaloso'
Esse trecho é perfeito!
A cada semana gosto mais dos seus textos, Denison!
Clap clap clap.
"nunca fui ao rio
não bebi janeiros
só das janelas de um março caudaloso
batismo de meus outonos"
Denison! Vc se supera a cada palavra!
Amo qdo alguem me emociona...
Lindo demais!
só agora vi que repeti o trecho do comentário acima...
mas o que é admirado é falado e cantado mil vezes...
bjos
Estava com saudades dos seus poemas melodiosos, Denison.
Lindo demais.
Garçom, um copo de janeiro, por favor!
Ímpar!
E eu gostei muito do final - do tal lago a ansiar garoa ;) Seus poemas sempre brincam com meu lado lúdico.
"há por enquanto
saudade
um lago a ansiar garoa
eu distante de mim"
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