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lemniscata

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

o beijo - de gustav klimt

ele, gráfico. ela, estatística. pediam pizza, com acabamento plástico no rótulo. ela dizia quero de berinjela. ele fumando na janela gritava eu com muita rúcula. gosto estranho destes dois. ele está lendo raduan nassar e martin page. ela, nunca leu uma page na vida, vivia para os números, sempre falava. ele, ateu hiperbólico apostólico humano, demasiado. ela, freqüentou de tudo, do seicho-no-ie a escolas de samba. tenho cada amigo e amiga, que vou te contar. se encontravam quase sempre, lunáticos, se imaginando lúcidos, em lugares cínicos. o anel no dedo anular da mão direita denunciava a situação ríspida. porém, se amavam sincréticos, instantes mágicos. me contavam. ela ardia lúdica. ele fenecia rápido. ainda rútila, ela queria mais. ele, no sono último, sonhava com um beijo úmido e com o seio túmido da mulher do próximo...

(assim passavam-se os dias, as noites, os anos, os escritores todos da vida, os rios, os cobradores batendo à porta – nunca vi cobrador batendo na porta -, pesadelos, a vizinhança reclamando do barulho, amores indo, outros vindo, as ondas do mar, os rochedos, a cabeça doendo, o grêmio quase rebaixado – de novo! -, a falta de grana, não saber o que escrever, a saudade da família, a solidão da espera, a vontade, o desejo, a angústia de ser esta infinita inconstância do que se é...).

... com a saia no formato mínimo e bunda no volume máximo. sempre que ela olha para ele adormecido, vê aquele sorriso de libido no canto dos lábios

(é tudo verdade na medida do possível da invenção. outra coisa: tu notou que não coloquei o ponto final?).

9 comentários:

Flah Queiroz disse...

A cada semana gosto mais dos seus escritos, Denison!

E sim, notei a ausência do ponto final.

^^

Gislãne Gonçalves disse...

Belíssimo.

Notei sim que não há ponto final e assim eh melhor ,porque belas histórias não precisam de pontos finais, talvez algumas reticências

:)

Du disse...

Nunca pensei que leria tantos textos bons baseados numa das músicas que mais gosto! Deu até vontade de escrever um também! rsrsrs

Que lindo, meu amigo, que lindo... e que bom que não colocaste ponto final! Até o Grêmio pode ter solução! rsrs

Beijos, saudades!

Priscila Mondschein disse...

Ótimo, Denison, adorei o ritmo, a linguagem, o estilo! E não notei a ausência do ponto, acho que me empolguei rsrs

Beijo!

Carina B. disse...

O ritmo dos teus textos é uma coisa inigualável.

E a falta de ponto me remeteu a uma continuação muito mais do que as usuais reticências, adorei o recurso.

Adriana Vargas de Aguiar disse...

Olá,
bom dia,
vim convidar a você a conhecer o resultado de nosso sorteio, E parabenizar conosco a nossa querida Evanir neste link

http://drisph.blogspot.com/2011/09/resultado-do-sorteio-do-mes-de-setembro.html

beijos e obrigada por estar com a gente!

Felipe Carriço disse...

Na medida do impossível, continue a poetizar o cotidiano, por favor!

Ana SS disse...

me dá água na boca te ler.
as palavras são tão bem mal colocadas...!
lindíssimo.

Tili Oliveira disse...

que delícia isso... estonteantemente estranho, mas simplesmente belo! Amei!