o beijo - de gustav klimt
ele, gráfico. ela, estatística. pediam pizza, com acabamento
plástico no rótulo. ela dizia quero de berinjela. ele fumando na janela gritava
eu com muita rúcula. gosto estranho destes dois. ele está lendo raduan nassar e
martin page. ela, nunca leu uma page na vida, vivia para os números, sempre falava.
ele, ateu hiperbólico apostólico humano, demasiado. ela, freqüentou de tudo, do
seicho-no-ie a escolas de samba. tenho cada amigo e amiga, que vou te contar. se
encontravam quase sempre, lunáticos, se imaginando lúcidos, em lugares cínicos.
o anel no dedo anular da mão direita denunciava a situação ríspida. porém, se amavam
sincréticos, instantes mágicos. me contavam. ela ardia lúdica. ele fenecia
rápido. ainda rútila, ela queria mais. ele, no sono último, sonhava com um
beijo úmido e com o seio túmido da mulher do próximo...
(assim passavam-se os dias, as noites, os anos, os
escritores todos da vida, os rios, os cobradores batendo à porta – nunca vi cobrador
batendo na porta -, pesadelos, a vizinhança reclamando do barulho, amores indo,
outros vindo, as ondas do mar, os rochedos, a cabeça doendo, o grêmio quase
rebaixado – de novo! -, a falta de grana, não saber o que escrever, a saudade
da família, a solidão da espera, a vontade, o desejo, a angústia de ser esta
infinita inconstância do que se é...).
... com a saia no formato mínimo e bunda no volume máximo. sempre
que ela olha para ele adormecido, vê aquele sorriso de libido no canto dos
lábios
(é tudo verdade na medida do possível da invenção. outra
coisa: tu notou que não coloquei o ponto final?).

9 comentários:
A cada semana gosto mais dos seus escritos, Denison!
E sim, notei a ausência do ponto final.
^^
Belíssimo.
Notei sim que não há ponto final e assim eh melhor ,porque belas histórias não precisam de pontos finais, talvez algumas reticências
:)
Nunca pensei que leria tantos textos bons baseados numa das músicas que mais gosto! Deu até vontade de escrever um também! rsrsrs
Que lindo, meu amigo, que lindo... e que bom que não colocaste ponto final! Até o Grêmio pode ter solução! rsrs
Beijos, saudades!
Ótimo, Denison, adorei o ritmo, a linguagem, o estilo! E não notei a ausência do ponto, acho que me empolguei rsrs
Beijo!
O ritmo dos teus textos é uma coisa inigualável.
E a falta de ponto me remeteu a uma continuação muito mais do que as usuais reticências, adorei o recurso.
Olá,
bom dia,
vim convidar a você a conhecer o resultado de nosso sorteio, E parabenizar conosco a nossa querida Evanir neste link
http://drisph.blogspot.com/2011/09/resultado-do-sorteio-do-mes-de-setembro.html
beijos e obrigada por estar com a gente!
Na medida do impossível, continue a poetizar o cotidiano, por favor!
me dá água na boca te ler.
as palavras são tão bem mal colocadas...!
lindíssimo.
que delícia isso... estonteantemente estranho, mas simplesmente belo! Amei!
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