sentei agora para escrever este texto.
não me responsabilizo.
altas horas.
onde guardei o que queria te deixar?
alto teor alcoolico.
relicário onde me encontro.
bêbado mesmo.
não ri. é coisa séria.
até mesmo porque leio a letra da canção e ela dança diante dos olhos.
confesso: é meio estranho este bailar embaralhado.
imagina: as letrinhas ali, diante da vista, elas dum lado pro outro e tu tentando concatenar uma ideia sobre elas.
concatenar é muito bom! vai dizer...
a varanda gira. o quadro roda. fumaça entranhada na pele. ziguezagueiam os pensamentos...
aí lembrei que o cara que canta... o... o... o... como é o nome mesmo? birita é foda! ...
o cara canta a música com a guria aquela, a... a... a ana cañas. a lembrança é mera coincidência, ok? não vai achar que eu tô vendo trago em tudo, por favor!
mas o que é mesmo que eu tô fazendo aqui?
só um pouco, vou pegar outra dose... por enquanto, lê aí do lado direito a letra e se quiser escuta também a música ...
“guardei. sem ter porque. nem por razão. ou coisa outra qualquer. além de não saber como fazer. pra ter um jeito meu de me mostrar. achei. vendo em você. e explicação. nenhuma isso requer. se o coração bater forte e arder. no fogo o...”.
voltei... não tinha gelo.
seguinte: os vizinhos estão reclamando da música alta. vou ter que baixar o som. desculpa aí. a ignorância não tem limites, puta que pariu, viu? só pode ser gente mal amada ou mal co... deixa pra lá...
o problema é que sentei aqui para escrever um texto e o máximo que consigo é ficar aqui digitando estas coisas para preencher o espaço, sem dizer nada que preste, e que o leitor do blog se identifique e tenha a inspiração para tecer um comentário.
tá! vou dizer: não gosto desse cara, o... o... o... lembrei! é o amando reis.
na verdade eu gosto é da cañas... não! não acredito que tu tá pensando nesse trocadilho! te larguei de mão...
faz o seguinte: esquece esse texto e vai ler os outros já publicados aqui e os que virão.
daqui não vai sair nada, nem revelação de alguma coisa, seja rascunho ou passado a limpo.
mas se tu me encontrar por aí, numa madrugada fria, garoando pela cidade, diga-me: “pra você guardei o amor”. serei eternamente grato por me lembrar
(aqui os ruídos do disco na vitrola tocam as paredes do quarto desenhando sombras.
ele consola-se no sonho.
já são quatro horas da manhã...).
10 comentários:
Das duas uma: ou realmente te faltou inspiração, ou voce estava muito inspirado. Seja qual for, o texto ficou engraçado. Se foi a primeira opção, dureza. Falta de inspiração acomete a todos nos. Se foi a segunda, meu amigo... Mandou bem! Abraço e boa noite ai pra vocês.
Odeio vocês! Principalmente você e o Sal... O Carriço então, nem se fala...
Odeio porque deixo para lê-los no trabalho e quando não me pego gargalhando, me surpreendo com os olhos marejados.
Odeio porque ao fim de cada texto a exclamação é sempre a mesma: Puta que pariu! Queria ter escrito isso!
(É um odiar que também implica amar, vai entender...)
Ah! E me atrevo a dizer que seu despojamento lhe cai muito bem. Tenho curtido esse Denison das últimas semanas!
eu nunca me responsabilizo pela minha escrita.
:)
ótimo texto
Que delicinha de leitura eu fiz aqui.
Uma batidinha de ironia, humor, amor... caiu muito bem, ainda que sem gelo.
Claudio, creio que os dois! abraço e obrigado.
Flah, gostei do despojado. como diria macedônio fernández sobre o livro museu do romance da eterna: "este vai ser o romance que mais vezes terá sido jogado com violência no chão, e outras tantas recolhido com avidez. que outro autor poderia se vangloriar disso?". odeia e ama, dúbio sentido, na inspiração do outro...:))
Gisläne e Ana, não nos responsabilizemos, seja com gelo ou sem. :))
abreijos
Louvada seja essa birita que ultrapassam letras,papéis e canetas chegando ao leitor com doses diárias de um cotidiano insano,louco mas, porém super válido!
Amo tuas letras e canções!
Beijos,poeta querido.
Fazer o que né? Somos trouxas felizes hahaha
A inspiração, vez ou outra, é um copo meio alcoólico. Parece que passou do ponto, encheu demais, e a inspiração saiu pelo ladrão.
Acontece!
Denison, não canso de repetir: sua capacidade de me surpreender a cada texto é incrível. E adorei esse estilo despojado, como a Flah tão bem definiu.
Poeta,
Inspiração eu tenho certeza que não faltou...
Que você ouça muitas vezes do amor que guardaram pra você...
Como sempre, um belo texto!
Beijos,
Andreza.
Poxa vida, se eu soubesse que beber dava essa inspiração toda, já tinha me embrigado antes. ushaushua
tá incríve, sério.
Concordo com todos aí em cima.
bjoo
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