.

.

estrela d’alma

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


foi parido na distância meridional sob o signo da geada. lonjura de um lugar anônimo de reconhecimentos. carregava invernos no peito. não tinha pouso. descansava as ideias pelos relvados ou na sombra de uma árvore frondosa. ela! honrarias, quase nenhuma. certezas, apenas aquele baldio entranhado. sou descampado!, dizia a voz altaneira dos pensamentos. sorria para si, ao lembrar do chiste. riso desgarrado do rosto, feito ofensa ao destino. fora batizado pelo acaso, cujo sobrenome ignorava pelos relentos de existência solta. ela! apenas um apelido o marcava como incorpórea chaga que luzia lumes nas noites de intensa calmaria: era o impronunciável refletido pelos olhares de tantos dizeres inauditos. repetia-se respeitoso pela mudez das catedrais, bolichos, esquinas e cercanias. nas tardes que floresciam no frescor ocioso de brisa lânguida. ela! como queria sentir o gosto frutado do beijo no clamor da língua, aquele cheiro calmo. aquela carne de esconderijos e rija volúpia. ela! esconjurou os ordálios do espírito inquieto. balbuciou um sossego feito reza e partiu assim como chegou... porém, com a febre da vela e a curiosidade dos que professam o conhecimento da comunhão: uma ecumênica primavera dançava agora no íntimo céu universal.
eles!

6 comentários:

Flah Queiroz disse...

Adorei o final! Aliás, adorei o início e o meio também.

Óbvio. Não dá para não gostar do que você escreve.

Carina B. disse...

Li três vezes, e em cada uma algo novo me saltou. Adoro sua capacidade de escrever sem prender as palavras, que ficam passeando infinitamente enquanto as lemos, cada uma delas parece ter uma alma inteira.
Adorei.

Allegra disse...

Adorei... Tem um "cheiro" de Érico Veríssimo.

Felipe Carriço disse...

Belíssima definição do que seria uma missa na catedral da alma. Ainda mais bonita com teus vitrais.
Abraços!

Ana SS disse...

Menino, vc já nasceu tendo um dicionário engolido, né?

Ô, destreza com as palavras!

Anônimo disse...

Palavr'almas